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Uso do carro e combustível

Carro com GNV: inspeção anual, cilindro e cuidados com o kit

Como instalar o kit gás dentro da lei, a inspeção anual do Inmetro, a requalificação do cilindro a cada 5 anos e a manutenção de quem roda com GNV.

Publicado em Atualizado em 8 min de leituraPor RiwerParts

Quem roda muito faz a conta do gás natural cedo ou tarde: taxista, motorista de aplicativo, representante comercial que passa o dia na estrada. A economia no abastecimento é real, mas só fica de pé se o kit estiver em ordem. Kit instalado fora da regra trava o licenciamento, dá multa na blitz e complica a venda do carro lá na frente.

Ter o kit regular significa três coisas: instalado por quem tem permissão, inspecionado no prazo e registrado no documento. A seguir está o caminho completo para quem vai instalar, o que muda na rotina de quem já roda a gás e os cuidados de manutenção para o carro continuar bem nos dois combustíveis.

Por que o kit gás precisa de autorização

Pelo Código de Trânsito, ninguém pode mudar as características de fábrica do carro sem autorização prévia da autoridade de trânsito (art. 98), e qualquer característica alterada obriga a um novo registro (art. 123, III). O Inmetro afirma com todas as letras que instalar o kit GNV é modificar as características originais do veículo. Por isso a instalação tem um roteiro próprio, que começa antes de a oficina pôr a mão no carro.

Instalando o kit dentro da lei, passo a passo

Seguindo as orientações do Inmetro e do Detran-SP:

  1. Peça a autorização ao Detran antes de tudo. Em São Paulo, o pedido vai pelo SEI, o sistema eletrônico de informações do estado. Documento faltando? O Detran avisa e dá 5 dias para acertar; perdeu o prazo, o pedido é negado.
  2. Instale numa oficina registrada no Inmetro. Só ela pode fazer o serviço, e no fim entrega o Atestado da Qualidade do Instalador Registrado, além das notas fiscais da mão de obra e das peças.
  3. Faça a inspeção de segurança veicular inicial num OIA, organismo de inspeção que tem acreditação do Inmetro e licença da Senatran. Aprovado, o carro ganha o selo Gás Natural Veicular do Inmetro e o CSV, o certificado de segurança veicular, ambos com validade de um ano.
  4. Passe pela vistoria de identificação numa ECV, empresa credenciada para vistoria. Em São Paulo, o laudo aprovado serve por 60 dias e para um único serviço.
  5. Registre a mudança no Detran. Em São Paulo o atendimento é presencial, com hora marcada. Para incluir o GNV, o Detran-SP exige o CSV (que traz o nome do instalador) e a nota do serviço; no lugar da nota, vale uma declaração com firma reconhecida de quem fez a instalação. O carro sai com documento novo, já com o gás registrado.

Quanto se paga ao Detran-SP

O Detran cobra a emissão do documento com a característica nova: R$ 295,83 para quem já quitou o licenciamento do ano e R$ 469,91 para quem ainda não quitou. Instalação do kit, inspeção no OIA e vistoria na ECV são pagas direto a cada empresa, pelo preço que ela definir.

Depois do registro: selo renovado todo ano e cilindro a cada cinco anos

O documento novo não encerra o assunto. Segundo o Inmetro:

  • o sistema de GNV passa por inspeção periódica todo ano; aprovado, o carro ganha CSV e selo novos, válidos por mais 1 ano, que servem para o licenciamento anual, e o ciclo se repete;
  • o cilindro tem de ser requalificado a cada 5 anos;
  • instaladores e organismos de inspeção são fiscalizados pelo Ipem (Instituto de Pesos e Medidas) do estado; na rua, quem fiscaliza são os órgãos de trânsito.

Anote no celular a data de vencimento do selo e a da próxima requalificação do cilindro. Selo vencido é inspeção anual atrasada, e isso aparece no licenciamento.

O que o Inmetro manda evitar

Na lista do próprio Inmetro, o dono do carro a gás não deve:

  • abastecer em posto de GNV sem autorização da ANP;
  • encher o cilindro acima de 220 bar, a pressão especificada pela ANP;
  • pular a inspeção inicial ou deixar o selo do gás vencer;
  • perder o atestado do instalador e as notas fiscais do kit.

O Inmetro também recomenda manter as inspeções periódicas em dia, fazer manutenção e troca de componentes do kit só em instalador registrado, ficar atento a vazamento (cheiro de gás ou chiado), não rodar abaixo da reserva mínima de gasolina ou etanol indicada pelo fabricante e requalificar o cilindro dentro do prazo.

A manutenção do carro que roda a gás

O kit não substitui o sistema original: gasolina ou etanol continuam no tanque, e o carro segue usando bomba, bicos e ignição de fábrica. Quem roda a gás precisa cuidar dos dois lados:

  • Peças do kit (redutor, válvulas, mangueiras e o próprio cilindro) só com o instalador registrado, como pede o Inmetro.
  • Ignição em dia. Falha, tranco ou perda de força rodando no gás costumam ser o primeiro sinal de ignição fraca, antes mesmo de ser defeito do kit. Peça ao mecânico para conferir velas e cabos e, se a culpada for a bobina, veja as bobinas de ignição.
  • Combustível líquido. Mantenha no tanque pelo menos a reserva mínima de gasolina ou etanol que o fabricante indica, como pede o Inmetro. Se o carro passou a falhar quando volta para a gasolina ou o etanol, a bomba de combustível e os bicos merecem uma checagem.
  • Arrefecimento. Na maioria dos kits, o redutor é aquecido pela água do motor, então vazamento ou nível baixo no reservatório afetam também o gás. Radiador, bomba d'água e válvula termostática estão em arrefecimento.

Como escolher onde instalar e inspecionar

O Inmetro publica listas que servem para conferir cada empresa do processo:

  • a dos instaladores registrados, para saber se a oficina pode instalar o kit;
  • a dos organismos de inspeção acreditados, para saber quem pode emitir o CSV;
  • a das requalificadoras registradas, para saber quem pode requalificar o cilindro.

Os links ficam na página de GNV do Inmetro, listada nas fontes. Empresa fora da lista não serve. E acidente com o sistema pode ser registrado no Sinmac, o sistema do Inmetro que acompanha acidentes de consumo.

Rodar com o kit irregular

O art. 230 do Código de Trânsito cobre as duas situações. Pelo inciso VII, circular com o carro modificado e sem o registro é infração grave, com multa, e o veículo fica retido até ser regularizado. Pelo inciso VIII, deixar de fazer a inspeção de segurança obrigatória também é grave. E, na hora de vender, a vistoria de transferência compara o carro com o documento: qualquer diferença trava o negócio até ser corrigida.

Se o carro que você vai comprar já tem kit

  • O gás aparece no documento? O campo de combustível do CRLV-e precisa trazer o gás natural; se não traz, o kit nunca foi regularizado.
  • O selo está dentro do ano de validade? Vencido quer dizer inspeção atrasada.
  • Os papéis existem? Peça o atestado do instalador, as notas do kit e o CSV mais recente, e veja quando o cilindro foi requalificado pela última vez.
  • Tem cheiro de gás ou adaptação improvisada? Desconfie de serviço feito fora de instalador registrado.
  • O kit foi tirado? Então o documento também tem de voltar ao combustível original, pelo mesmo serviço de alteração. Documento com GNV em carro sem kit é outra divergência a acertar antes da venda.

Antes de comprar a peça

Para as peças do sistema original, confira modelo, ano e motor do carro, anote o código gravado na peça velha e compare com a aplicação da ficha. A busca pelo seu veículo filtra por montadora, modelo, ano e motor. As peças do kit em si ficam com o instalador registrado.

Perguntas frequentes sobre carro com GNV

Instalar GNV exige autorização do Detran?

Exige. O art. 98 do Código de Trânsito só permite mudar característica original com autorização dada antes, e para o Inmetro o kit é uma mudança desse tipo. Em São Paulo, o pedido sai pelo SEI, antes de o instalador começar.

Com que frequência o carro com GNV é inspecionado?

Uma vez por ano. Selo e CSV têm validade de um ano, e o licenciamento depende da inspeção periódica feita.

E o cilindro, de quanto em quanto tempo é requalificado?

A cada 5 anos, numa requalificadora registrada, segundo o Inmetro.

O que acontece se eu rodar com o GNV sem regularizar?

São duas infrações graves do art. 230 do Código de Trânsito: rodar com característica alterada (inciso VII), que leva a multa e retenção do carro, e rodar sem a inspeção de segurança obrigatória (inciso VIII).

Quanto o Detran-SP cobra para registrar o GNV?

Só a emissão do documento novo: R$ 295,83 para quem está com o licenciamento do ano pago e R$ 469,91 para quem não está. Kit, OIA e ECV são pagos a cada empresa.

Dá para vender um carro com GNV normalmente?

Dá, se o gás estiver no documento e o carro passar na vistoria de transferência. Para licenciar, CSV e selo precisam estar dentro do ano de validade. Kit sem registro tem de ser regularizado, ou retirado com a atualização do documento, antes da venda.

Qual a pressão máxima para abastecer com GNV?

220 bar, limite definido pela ANP. O Inmetro põe o abastecimento acima disso entre o que não se deve fazer.

Fontes

  1. Inmetro, informações sobre instalação e utilização de sistemas GNV
  2. Poupatempo / Detran-SP (alterar características do veículo)
  3. Código de Trânsito Brasileiro, arts. 98, 123 e 230

O artigo resume e comenta essas fontes com as próprias palavras; o texto original é de cada autor.

Assuntos: gnv, kit gás, inmetro, inspeção anual, cilindro, alteração de característica, manutenção.

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