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Manutenção e peças

Para-brisa trincado: reparar ou trocar, e quando dá multa

Pedra trincou o para-brisa? Veja o limite do Contran, como medir a trinca, quando a resina resolve, o preço da troca em 2026, o seguro e a regravação do chassi.

Publicado em Atualizado em 7 min de leituraPor RiwerParts

Foi só um estalo na estrada e, dias depois, a marca no vidro virou uma linha que atravessa o para-brisa. Na maioria das vezes a culpa é de uma pedra lançada pelo carro da frente ou do choque térmico, quando o ar-condicionado sopra frio num vidro que passou o dia no sol.

A pergunta seguinte é sempre a mesma: dá para consertar ou vai ter de trocar, e o carro pode rodar assim? A resposta depende de onde está o dano e do tamanho dele, e a regra do Contran é bem objetiva. Abaixo estão o limite tolerado, a multa, como medir em casa, o preço da troca, o seguro e a gravação do chassi no vidro novo.

O que o Contran tolera no para-brisa

Para automóveis, a Resolução Contran 960/2022 aceita até duas avarias no para-brisa, desde que cada uma seja uma trinca de no máximo 10 cm ou uma quebra circular de no máximo 4 cm. Além disso, nenhuma pode estar na área crítica de visão, que é a metade esquerda da área varrida pelas palhetas, nem na faixa de 2,5 cm junto às bordas. Dano nessas duas zonas não admite reparo: o vidro tem de ser trocado.

Passou desse limite, o enquadramento é o art. 230 do CTB, que pune quem dirige com equipamento obrigatório que não cumpre a função ou está malconservado. Nos dois casos a infração é grave: R$ 195,23 de multa pelo art. 258, 5 pontos na carteira pelo art. 259 e o carro retido até ser regularizado. Há fontes que falam em infração média, mas quem decide é o texto do CTB.

Medindo a trinca com uma régua

  1. Meça a trinca de uma ponta à outra. Até 10 cm, ainda está dentro do tolerado; acima disso, não.
  2. Se a quebra for redonda, do tipo estrela ou olho de boi, meça o diâmetro: o limite é 4 cm.
  3. Acione o limpador e veja a área que a palheta do lado do motorista percorre. A metade esquerda dela é a zona crítica, e qualquer dano ali já pede vidro novo.
  4. Meça a distância até a borda. A menos de 2,5 cm, também é troca.
  5. Conte os pontos. Com três avarias, mesmo pequenas, o máximo de duas já foi ultrapassado.

O teste do item 3 só funciona com o limpador varrendo direito. Se o braço para no meio do curso, perde velocidade ou não volta à posição de descanso, o defeito costuma estar no motor do limpador ou na articulação que move os braços; veja os motores do limpador com a aplicação de cada carro.

Resina ou vidro novo

  • Reparo com resina: funciona em dano que cabe debaixo de uma moeda de R$ 1, longe das bordas e fora do campo de visão do motorista. Sai barato, leva por volta de meia hora, mas deixa uma marca. Quanto mais cedo, melhor, porque poeira e umidade dentro da trinca atrapalham a resina.
  • Troca do vidro: é o caminho para trinca comprida, dano na área de visão ou na borda e trinca que aumenta com o calor.

Logo depois da pedrada

  • Tape o ponto com fita adesiva transparente até chegar ao reparador, para manter água e sujeira fora da fratura.
  • Fuja do choque térmico: não jogue ar frio no vidro que está quente, nem lave o para-brisa com água fria quando ele estiver no sol. Quem usa muito o ar encontra os cuidados do sistema em ar-condicionado do carro.
  • Evite jato forte de lavagem e não bata as portas com força: as duas coisas fazem a trinca correr.
  • Resolva rápido: a trinca pequena que cresce sai da faixa do reparo e entra na da troca.

O preço da troca em 2026

Para-brisaPreço em 2026
AGC para Onix 2020 a 2026R$ 777, instalado na rede, com um ano de cobertura
AGC para Gol G6 e G7 2014 a 2024R$ 826

Se o carro tem câmera de assistência presa ao para-brisa, para frenagem automática ou alerta de saída de faixa, o sistema precisa ser recalibrado depois da troca. Vidro barato instalado sem calibração deixa o assistente desligado. Os sensores de chuva e de luz também têm de ser recolocados no vidro novo.

O que pedir no orçamento

  • A marca e o modelo do vidro, com ou sem faixa degradê, e com o suporte do sensor ou da câmera, se o carro tiver.
  • Se o uretano, que é a cola do vidro, e as borrachas entram no valor, e o tempo de cura antes de liberar o carro, que depende do produto usado pelo instalador.
  • Se a regravação do chassi e a calibração da câmera estão incluídas.
  • A cobertura do serviço por escrito, com prazo, valendo para infiltração e barulho de vento.

Quando vale acionar o seguro

Trinca, quebra e estilhaçamento ficam na cobertura de vidros, que pode ser opcional ou vir dentro do seguro compreensivo, com uma franquia própria, menor que a do carro. A conta é simples: se o conserto sai mais barato que a franquia, não compensa acionar.

Para usar, o primeiro contato é com a seguradora, pelo canal que ela indica, e só depois o carro vai para o vidraceiro, já que a troca normalmente sai pela rede credenciada. Separe o CRLV e a apólice e fotografe o dano. Na apólice, veja quantas trocas por ano estão cobertas e se o conserto com resina dispensa a franquia.

A gravação do chassi no vidro novo

Desde 1988, pela Resolução Contran 691, os carros saem com o final do chassi gravado nos vidros: para-brisa, vidro de trás e no mínimo quatro laterais. Trocou o vidro, tem de regravar. Vidro sem gravação, ou com número que não bate com os outros, reprova na vistoria e é infração grave pelo art. 237 do CTB.

Cuidado também com vidro de desmanche. A Lei do Desmanche foi regulamentada pela Resolução Contran 611/2016, e ela veta que o desmanche venda para reposição o vidro de segurança com o chassi gravado. Aquele para-brisa usado e barato, com o número de outro carro, é uma peça que nem poderia estar à venda.

Erros que mais se repetem

  • Achar que trinca miúda está sempre liberada. Se ela fica bem na frente do motorista, na zona crítica, o tamanho não importa.
  • Pôr resina onde era caso de troca. Em trinca longa ou na borda, o reparo não segura e o vidro continua irregular.
  • Trocar sem regravar. O número do vidro novo não bate com o dos outros, e a vistoria de transferência para.
  • Ignorar a câmera do para-brisa. Se ninguém recalibra, os assistentes de frenagem e de faixa trabalham errado ou desligam.
  • Acionar o seguro para um reparo que custa menos que a franquia.

Antes de comprar o vidro ou as peças do limpador

  • Para o vidro: modelo, ano e versão do carro, com ou sem faixa degradê, e se ele tem câmera ou sensor de chuva no para-brisa.
  • Para o limpador: modelo, ano e motor do carro e o código gravado no motor velho. Em muitos carros o comando do limpador fica no mesmo conjunto da chave de seta, então vale testar a alavanca antes de culpar o motor.
  • Se o esguicho não sai, confira a bomba do reservatório do limpador antes de mexer nos bicos.
  • A aplicação na ficha do produto, conferida pela busca por veículo.

Perguntas frequentes sobre para-brisa trincado

Rodar com para-brisa trincado dá multa?

Dá, quando o vidro passa do que a Resolução Contran 960/2022 aceita: mais de duas avarias, trinca maior que 10 cm, quebra redonda maior que 4 cm, ou um dano qualquer no campo de visão de quem dirige ou colado à borda, a menos de 2,5 cm.

De quanto é a multa?

A infração é grave, pelo art. 230 do CTB. São R$ 195,23 de multa (art. 258), 5 pontos (art. 259) e o carro fica retido até ser regularizado.

Quanto custa o para-brisa de um Onix?

Em 2026, perto de R$ 777 instalado, com um ano de cobertura. No Gol G6 e G7, por volta de R$ 826. Se o carro tem câmera no vidro, some a recalibração.

Trinca no para-brisa tem conserto?

Tem. A resina resolve dano do tamanho de uma moeda de R$ 1 ou menor, longe das bordas e fora da área de visão. Trinca comprida, na borda ou que continua crescendo exige troca.

O seguro paga a troca do para-brisa?

Paga se a apólice tem cobertura de vidros, com franquia própria. Antes de acionar, compare o preço do reparo com o valor dessa franquia.

Tenho de regravar o chassi no vidro novo?

Tem. Os vidros gravados precisam trazer todos o mesmo final de chassi. Um vidro sem número, ou com número que não confere, cai no art. 237 do CTB e impede a vistoria de transferência.

Fontes

  1. LegisWeb (Resolução Contran 960/2022), 17/05/2022
  2. Planalto (Código de Trânsito Brasileiro, arts. 230, 237, 258 e 259), 23/09/1997
  3. Autopapo (para-brisa trincado)
  4. Autoglass (para-brisa Onix)
  5. Autoglass (para-brisa Gol)
  6. Justos (seguro de vidros), 01/06/2023
  7. SVI Brasil (gravação nos vidros), 02/09/2022
  8. Ministério dos Transportes (Resolução Contran 611/2016, desmontagem), 24/05/2016

O artigo resume e comenta essas fontes com as próprias palavras; o texto original é de cada autor.

Assuntos: para-brisa, trinca, vidro, contran, multa, seguro, limpador de para-brisa.

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